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Térmicas devem fazer parte do planejamento energético
 


| 07/07/2010 | Folha de São Paulo

ANÁLISE


ASSUMIR QUE EÓLICA, BIOMASSA E PCH SUBSTITUAM TÉRMICAS É INGENUIDADE

ADRIANO PIRES
ESPECIAL PARA A FOLHA

Às vésperas das eleições presidenciais, os candidatos sempre são questionados sobre que medidas tomarão para garantir a expansão da energia elétrica e, com isso, atender o avanço da demanda e evitar apagões.
Durante a campanha presidencial, o tema ganhará ainda mais relevância, pelo fato de que existe uma forte tendência a um crescimento das tarifas finais de energia.
Esse crescimento deverá ocorrer, principalmente, devido ao aumento da geração térmica na matriz elétrica.
Por esta ser mais cara do que a hidrelétrica, o consumidor sentirá mais o impacto das altas cargas tributárias, dos encargos setoriais e dos custos relacionados a demandas ambientais.
Hoje, 46% da conta de energia corresponde a tributos e encargos setoriais.
É importante chamar a atenção para o fato de que 90% das térmicas contratadas nos leilões ainda não entraram em operação. Ou seja, ainda estão por vir dois efeitos: o aumento dos preços e a sujeira da matriz elétrica.
Afora os empreendimentos do rio Madeira ora em construção, a oferta de energia hidrelétrica não sofrerá grandes incrementos. Como teremos um parque térmico à disposição, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) terá que despachar as térmicas (pôr essa energia na rede) além do que seria razoável e gostaria.
Na tentativa de limpar a matriz elétrica, o governo aposta, a partir de 2014, nas hidrelétricas que se situam na Amazônia, com seus problemas ambientais e limitações de armazenamento.
Não considerar as térmicas -nucleares, a gás natural e de carvão- como componentes da matriz de geração e operando na base do sistema parece desconhecimento das limitações impostas às hidrelétricas, que, daqui para a frente, devido a exigências ambientais, terão reservatórios pequenos, com pouca capacidade de armazenamento.
Por fim, assumir que a energia de reserva gerada por eólicas (a partir do vento), biomassa (do bagaço de cana, por exemplo) e PCH's (pequenas centrais hidrelétricas) possa substituir hidrelétricas e térmicas -defendemos as a gás, principalmente- é de uma ingenuidade inadequada ao planejamento sério para o suprimento de energia elétrica que assegure o desenvolvimento do país.

ADRIANO PIRES é diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).





 
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