No médio e longo prazo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deveria proibir a queima de gás durante a fase de testes de longa duração (TLD) de campos recém-descobertos em alto-mar, como ocorre hoje. Essa é a opinião da diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, que é contra a liberdade de se queimar gás na fase de testes.
Em Tupi, por exemplo, a ANP autorizou a queima de no máximo 500 mil m3 de gás por dia. O volume deve aumentar à medida que forem instaladas mais plataformas para testar outros campos do pré-sal da bacia de Santos. Maria das Graças acha que é preciso um planejamento de longo prazo para essa queima.
"Não pode ser assim e também não é de repente que se pode deixar de queimar. É preciso trabalhar as tecnologias. A depender da distância e da complexidade, é preciso que se tenha um plano para se minimize essa queima durante a fase de testes. Faria bem se a ANP tivesse uma programação de longo prazo. O que não se pode, no meu entendimento, é que não se tenha regras", defende.
A diretora rebate críticas do mercado de que a Petrobras aumentou a queima de gás no ano passado porque o insumo estava sobrando no mercado. "A acusação é absurda e sem fundamento", afirma.
Maria das Graças comanda a diretoria que vai testar, junto com a de Exploração e Produção, duas tecnologias que permitirão aproveitar o gás produzido em alto mar evitando queima de gás. Uma delas, a Gás para Líquido Embarcado (GTL-E), permitirá a transformação química do gás em petróleo ou qualquer outro combustível em alto mar. Não existe no mundo instalação desse tipo projetado para o alto-mar, só em terra.
"Daqui a dois anos, provavelmente , a gente deve estar com um protótipo instalado. Aonde, não sabemos", explica.
A outra é uma planta de GNL-E (gás natural liquefeito embarcado) que será instalada em Tupi e ainda está em fase de competição para se decidir qual o melhor projeto. Com ela, o gás sairá do poço e vai até uma unidade de liquefação instalada em um navio parado ao lado da plataforma de produção. As duas tecnologias permitirão comparar a viabilidade econômica dessas embarcações como contraponto aos grandes gasodutos ligando o pré-sal à costa com 300 km de extensão.
A diretora da Petrobras também acha que é hora de se criar no país uma associação reunindo os produtores e carregadores de gás natural. Ela cita, além da lista de atuais produtores, as empresas que têm áreas no pré-sal como a Shell, BG, Galp, Repsol, Exxon, Hess, Devon, Anadarko, Statoil, e Vale. "Eles estão em campos onde há possibilidade de ter gás associado. A minha turma é de quem produz, carrega e transporta gás. Não é de quem vende." (CS)