A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Ciência e Tecnologia assinaram parceria, ontem, para desenvolver uma ação coordenada na criação do padrão para medidores digitais de energia. Por essa tecnologia, consumidores, distribuidoras e governo teriam mais controle de onde estão concentrados os gastos. Com mais informação, todos poderiam adotar medidas para elevar a eficiência do consumo, por exemplo, com a distribuidora cobrando tarifas diferenciadas no horário de pico e na madrugada.
Segundo Nelson Hubner, diretor-geral da Aneel, é necessária a definição de um padrão nacional para produção industrial doméstica de medidores, que poderia atender ao mercado em prazo de seis a dez anos, para substituir os quase 65 milhões de medidores.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) já trabalha em parceria com o Inmetro para definir esse padrão. "Logo começaremos a produzir protótipos e, com isso, chegaremos aos custos", diz Roberto Barbieri, assessor de energia elétrica da Abinee. Para ele, é possível para a indústria nacional trocar os medidores hoje, mas, com mais tempo, isso será feito de forma mais barata e padronizada e sem propriedade de software.
De maneira independente, as distribuidoras Ampla e Cemig já trabalham com medidores inteligentes, de tecnologia internacional, que podem identificar mais facilmente furtos na rede.
Para o usuário, o medidor inteligente poderá apontar, por exemplo, se determinado eletrodoméstico representa maior parcela nos gastos da residência. Por isso, o medidor estimulará a eficiência energética, levando o próprio usuário a substituir os aparelhos que gastam mais. O medidor também dará espaço para oferta de novos serviços, como a possibilidade de ligar e desligar equipamentos automaticamente.
A meta da Aneel é chegar no futuro ao conceito chamado "smart grid", ou rede inteligente. Além das vantagens a consumidores e distribuidoras, o órgão regulador também teria controles mais apurados sobre a qualidade da energia entregue. Para bancar o custo inicial para troca dos medidores, que pode representar gastos de anos de consumo para a baixa renda, o governo federal deverá adotar incentivos similares ao do programa Luz para Todos.
Para as distribuidoras, a mudança assusta porque elas contratariam um verdadeiro exército para ir a cada consumidor trocar o medidor, sendo que, depois de o programa concluído, os funcionários teriam que ser dispensados. (DF)