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Financiamento externo poderá ser decisivo
 


| 11/03/2010 | Valor Econômico

 

    De São Paulo
    11/03/2010
 

O que poderia ser uma desvantagem para os chineses na disputa pelo fornecimento de equipamentos da usina de Belo Monte - o empréstimo do BNDES, que apenas financia equipamentos produzidos no Brasil - pode se virar a favor das empresas da China. Se o banco de desenvolvimento brasileiro não for capitalizado, não terá condições de dar o financiamento de 80% do total a ser investido na obra. Com isso, a saída para os consórcios que vão disputar o leilão poderá ser assinar contrato com os chineses, que incluem no pacote o financiamento dos equipamentos por meio do Eximbank chinês.

No ano passado, quando a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou que o investimento total de Belo Monte seria de R$ 16 bilhões, o BNDES também falou que iria financiar até 80% da obra. Mas o banco, pelas regras de Basileia, tem uma limitação para fazer empréstimo a um único empreendimento, que é de R$ 12 bilhões. O valor já representava apenas 75% dos investimentos. Como o valor foi revisto, pela própria EPE, e deve chegar a R$ 20 bilhões, sem a capitalização do banco não será possível cumprir o prometido de financiar até 80%. E isso sem contar que a estimativa das empreiteiras é gastar mais do que os R$ 20 bilhões. O banco foi procurado, mas até o fechamento da edição não concedeu resposta.

O integrante de um dos consórcios conta que sem uma posição clara quanto à capitalização do banco, até o leilão, as condições de preço para a disputa ficam completamente alteradas. Mesmo que algum banco brasileiro esteja disposto a replicar as condições do financiamento do BNDES, como agente repassador, vai cobrar uma taxa de carregamento mais cara para manter um financiamento desse porte em sua carteira de crédito por 30 anos. É por isso que os chineses podem ganhar competitividade extra nessa disputa, já que eles estão dispostos a financiar o contrato de fornecimento que representa um terço do valor total do gasto total de R$ 20 bilhões.

A ideia de comprar os produtos estrangeiros e ter em conjunto o financiamento atrai tanto que algumas empresas que elas chegaram a bater à porta da Aneel com uma proposta inusitada: atrelar 20% da energia vendida no leilão ao dólar, para não terem que incorrer com o custo de hedge. Isso significaria que parte da tarifa seria corrigida pelo dólar, como é a energia de Itaipu. A ideia foi rejeitada pela Aneel. (JG)





 
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