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Venezuela pode ter de economizar mais energia
 


| 10/03/2010 | Valor Econômico

 

    De São Paulo
    10/03/2010
 

O nível do reservatório da maior hidrelétrica da Venezuela está baixando num ritmo mais veloz do que o de semanas atrás. Analistas já dizem que, se a situação não melhorar no prazo previsto, o governo deverá prorrogar medidas de restrição de consumo de energia.

As águas da represa de Guri têm baixado em média 14 centímetros por dia, ante os 12 centímetros registrados há três semanas e ante os 9 centímetros do começo do ano.

O país atravessa um período seca intensa. Analistas e opositores do governo do presidente Hugo Chávez dizem que além da falta de chuvas o país não investiu o suficiente nos últimos anos para ampliar a capacidade de fornecimento de energia a partir de outras fontes, como termelétricas. Guri responde por cerca de 70% da energia consumida no país.

O risco que os venezuelanos enfrentam é que, se a temporada de chuvas - que normalmente começa em abril ou maio - não for tão forte, o governo poderá ter de baixar medidas mais duras para economizar energia. Desde janeiro, Caracas impõe cortes programados de energia pelo país e determinou uma redução da produção na maior siderúrgica do país. A medida também afetou fábricas de alumínio. Os apagões têm duração programada de cinco meses.

Para Michel Lara, ex-presidente da agência reguladora do setor elétrico, o governo poderá ser forçado a ampliar as medidas de racionamento se o nível da represa cair mais dez metros.

Segundo ele, as chuvas só devem começar a produzir um aumento no nível da represa em junho. O lago tem atualmente 34% de sua capacidade de operação. No começo do ano era 60%.

Para o economista José Saboin, da consultoria Ecoanalítica, o cenário mais provável é que em maio as chuvas comecem mesmo a tirar do sufoco consumidores residenciais e empresariais e que a crise elétrica deixe de ser uma dor de cabeça em junho. A Econoalítica estima que o impacto de praticamente todo o primeiro semestre com restrição de abastecimento contribuirá para que a economia feche o ano com uma contração de 1,3%.

O cenário mais pessimista - e menos provável - é que as chuvas atrasem ou não sejam tão fortes, o que levaria o governo a prorrogar os apagões. A economia teria, assim, retração de 4% este ano, estima a consultoria.





 
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