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Após crise, energia solar tenta encontrar seu lugar na Espanha
 


| 10/03/2010 | O Estado de São Paulo

Elisabeth Rosenthal

THE NEW YORK TIMES

Famosa há muito tempo por seu carvão, a cidade espanhola de Puertollano descobriu há dois anos outra fonte de energia: o sol constante, abrasador. Com generosos incentivos do governo para a rápida implantação de uma indústria de energia solar, a cidade começou de maneira agressiva a substituir sua economia em crise, baseada no carvão, atraindo empresas especializadas em painéis solares, com o seguinte slogan: "O Sol é o Que Nos Move". Em pouco tempo, a nova atividade encontrou o auge e a crise.

Puertollano tornou-se um centro para energia alternativa, com duas enormes plantas de energia solar, fábricas para a produção de painéis solares e wafers de silício, além de institutos de pesquisa de energia limpa. Em 2008, 50% da energia solar instalada em todo o mundo foi implantada na Espanha.

Produtores agrícolas venderam terras para a construção de usinas solares. Lojas foram abertas. E pessoas do mundo inteiro, de olho no novo campo de atividades, mudaram-se para a cidade, que já registrara 20% de desemprego e sofrera com o êxodo de sua população.

Enquanto usinas solares de baixa qualidade, mal projetadas brotavam nos planaltos da Espanha, as autoridades se deram conta de que teriam de subsidiar muitas delas indefinidamente, e que o setor que haviam criado talvez nunca produzisse energia limpa eficiente.

Em setembro, o governo mudou abruptamente sua estratégia: cortou subsídios e restringiu a construção de instalações solares. O breve boom de Puertollano estava encerrado. "Perdemos a oportunidade de estar na vanguarda da energia renovável ? não só estávamos gerando eletricidade, como também uma economia forte", disse Joaquín Carlos Murillo, prefeito da cidadezinha desde 2004. "Por que estão limitando a produção de energia solar, se o sol é ilimitado?"

O colapso arrasador de Puertollano mostra que delicados cálculos estratégicos são imprescindíveis para estimular as incipientes indústrias solares e criar empregos verdes, e talvez sirva de advertência para os Estados Unidos, onde está ocorrendo uma corrida semelhante.

Por enquanto, a geração de eletricidade a partir dos raios solares precisa ser subsidiada porque exige a compra de novos equipamentos e novos investimentos em tecnologias em constante desenvolvimento. Entretanto, os custos estão caindo rapidamente.

As autoridades reguladoras ainda estão aprendendo a estruturar a concessão de estímulos de maneira a criar uma indústria verde estável, autossustentável, e não apenas uma energia gerada a altos custos e uma expansão econômica de breve duração, como a que ocorreu na Espanha.

"O setor como um todo aprendeu muito com o que aconteceu na Espanha", disse Cassidy DeLine, que analisa o mercado solar europeu para a Emerging Energy Research, empresa sediada em Cambridge, Massachusetts.

Ela observou que, desde então, outros países começaram a fixar subsídios menores e normas mais rigorosas para as usinas solares. As companhias fortes do setor sobreviveram à crise, se reestruturaram e ressurgiram como empresas globais.

Por exemplo, quando o governo mudou sua estratégia, a Siliken Renewable Energy, que originalmente produzia painéis solares, fechou suas fábricas por cinco meses e demitiu 600 dos 1,2 mil funcionários. Depois de redirecionar seus interesses para mercados externos, como Itália, França e EUA, e diversificar suas atividades, incluindo serviços de suporte na área da energia solar, a empresa começou a dar lucro.

Embora o objetivo da Espanha fosse produzir 400 megawatts de eletricidade com painéis solares até 2010, alcançou este marco no fim de 2007. No ano seguinte, ela conectou 2,5 gigawatts de energia solar à sua rede nacional, mais do que cinco vezes sua capacidade anterior, tornando-se assim a segunda do setor depois da Alemanha, a líder mundial. Mas muitas das plantas instaladas apressadamente não ofereceram perspectivas de se tornarem competitivas em matéria de custos em comparação à energia convencional, tanto por problemas no projeto ou quanto por estarem localizadas em regiões onde a luz do sol era inadequada.





 
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