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Funcionários da Celesc temem privatização
 


| 09/03/2010 | Valor Econômico

 

    Júlia Pitthan, de Joinville
    09/03/2010
 

Os funcionários da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) promoveram uma paralisação durante toda a manhã de ontem para pedir o fim do acordo de cooperação técnica assinado em janeiro com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). De acordo com a Intersindical dos Eletricitários de SC (Intercel), cerca de 80% dos 4,391 mil trabalhadores da companhia aderiram à mobilização. A direção da Celesc, por meio da assessoria de imprensa, informou que a paralisação atingiu 35% dos trabalhadores e que não houve prejuízo no fornecimento e atendimento aos consumidores.

A Intercel entregou uma carta ao presidente da Celesc Holding, Sergio Alves, para apresentar a pauta de reivindicação. "O convênio com a Cemig tem nossa oposição por entender que muito pouco a Celesc tem a aprender com aquela concessionária, que tem se caracterizado por uma gestão voltada exclusivamente aos interesses dos acionistas privados", diz o documento.

A intenção da administração da Celesc ao aprovar o convênio de cooperação técnica, segundo a própria empresa divulgou na época, é o de promover melhoria das práticas de gestão. Entre as áreas de interesse estão o gerenciamento empresarial, a tecnologia de distribuição de energia, a conservação de energia, tecnologia de automação, telemedição e novas tecnologias associadas à área de negócios. O convênio deve vigorar até o final de 2010.

"Esse convênio é o primeiro passo para a privatização da empresa. A Cemig está tendo acesso a informações estratégicas da Celesc. É um raio X para depois comprar", diz o coordenador da Intercel, Sebastião Aurélio Marcos. Na sexta-feira, depois que o sindicato informou a intenção de paralisar as atividades, o presidente da Celesc Distribuição, Felipe Luz, divulgou uma carta aos trabalhadores afastando a possibilidade de privatização da companhia. A Celesc informou que não pretende cancelar o acordo com a Cemig.

Além de pedir o fim do convênio, a Intercel reivindica a manutenção do atual estatuto da companhia, investimentos imediatos no sistema elétrico evitando a precarização dos serviços, a manutenção do acordo coletivo de trabalho e o fim da terceirização de atividades fins da empresa. Pede ainda a manutenção da diretoria comercial, que tem hoje no cargo diretor eleito pelos empregados.

No começo de fevereiro, o diretor Dilson Oliveira Luiz colocou o cargo à disposição depois que houve questionamentos sobre um pagamento sem cobertura orçamentária de R$ 12 milhões à empresa Monreal, que prestava serviços à Celesc. O episódio está sendo investigado e o resultado será apresentado na próxima reunião do Conselho de Administração, marcada para 31 de março, deve indicar o desfecho do episódio.





 
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