O conselho administrativo das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) reúne-se hoje pela primeira vez no ano, em Florianópolis, para enfrentar uma pauta polêmica. Segundo o presidente do conselho da estatal, Glauco José Corte, entre os assuntos para deliberação estão a dívida do governo de Santa Catarina com a companhia de energia e a previsão de investimentos na Celesc Geração. A regulamentação do Plano de Demissão Voluntária Incentivada (PDVI) da empresa está na pauta de assuntos para informação, mas o coordenador do comitê de recursos humanos da Celesc, Derly Massaud de Anunciação, que faz parte do conselho, espera colocá-lo para deliberação.
De acordo com o presidente do conselho, dois estudos da dívida - um elaborado por técnicos do governo e outro, da Celesc - serão confrontados. Glauco prefere não falar em valores, mas espera que a reunião possa avançar na questão. "Alguma decisão será tomada", disse.
O investidor Lírio Parisotto, que detém 12% dos papéis da Celesc e é o maior acionista individual da empresa, estima que a dívida, contraída em 1986, esteja hoje entre R$ 300 milhões e R$ 1 bilhão. Há disputa no índice de correção adotado para reajustar o valor devido.
O impasse no pagamento da dívida impede a Previ de vender 29% que detém da Celesc. O fundo de pensão do Banco do Brasil e o governo de Santa Catarina travam batalha judicial sobre o controle da companhia. Na semana passada, a Previ conseguiu suspender a decisão da Justiça estadual catarinense que retirava de seu direito de voto e junto com elas três cadeiras no conselho de administração da companhia de energia.
Parisotto, que é crítico do modelo de gestão adotado pela Celesc e já levou cinco queixas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), promete agora ir à Justiça pedir o ressarcimento que o acionista controlador, o governo de Santa Catarina, causou aos minoritários. Entre as críticas, Parisotto questiona o novo programa de PDVI que a empresa pretende fazer. Em 2001 e 2002, a Celesc fez ação semelhante em que foram demitidos, de acordo com o investidor, 1.081 trabalhadores ao custo de R$ 800 milhões. Em 2006, a empresa teria recontratado 1.082, segundo ele.
Ontem, o dia foi de silêncio entre os gestores da empresa. Procurado, o diretor da Celesc Distribuição, Felipe Luz, disse que não falaria sobre a reunião porque não detém cadeira no conselho. O secretário da Fazenda de Santa Catarina, Antônio Gavazzoni, que acompanha a questão da dívida, preferiu não se manifestar. A Previ, por meio de sua assessoria de imprensa, também informou que não está se posicionando sobre o impasse com a Celesc.
Este ano, a Celesc deixou de pertencer ao Ibovespa. No início de 2009, a companhia negociava em média, por dia, R$ 2,8 milhões na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). No começo deste ano, tem negociado apenas R$ 1,4 milhão.
O PDVI é um dos instrumentos da empresa para tentar ajustar os gastos. A Celesc está gastando cerca de R$ 200 milhões a mais do que a empresa referência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sendo R$ 160 milhões apenas com pessoal. A empresa tem 4 mil funcionários, 10% com função gratificada e altos salários, e um passivo de R$ 250 milhões de inadimplência que dificilmente serão recuperados, pois são contratos antigos que estão em disputa judicial.