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Brascan paga R$ 292,9 mi por geradoras da Energisa
 


| 13/07/2007 | Valor Econômico

Maurício Capela
13/07/2007

Marisa Cauduro / Valor
Maurício Botelho, diretor-financeiro da Energisa, conta que os recursos serão usados para abater dívida líquida
 
Bastou cerca de 30 dias para que a Energisa, holding do setor de energia que substituiu a Cataguazes-Leopoldina na bolsa de valores, fechasse a venda de boa parte de seu parque gerador. Por R$ 292,9 milhões, a filial da canadense Brascan no país arrematou onze Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e quatro projetos hidrelétricos, o que na prática significa potência conjunta de 233 megawatts (MW).

Conforme o Valor adiantou no início de junho, a holding contratou o banco Itaú BBA para assessorá-la no processo de venda de toda a sua área de geração, que atraiu grandes grupos do setor de energia do país e também investidores financeiros. Restam ainda eu sua carteira, 172 MW de PCHs e a usina termelétrica a gás natural de Juiz de Fora (MG).

Há informações de pessoas a par do processo de que, para a venda da termelétrica, capaz de gerar 87 MW, a empresa estaria em conversas com a Cemig. No entanto, Maurício Botelho, diretor-financeiro e membro da família controladora da Energisa, não comentou o assunto, ou seja, não desmentiu e tampouco confirmou o negócio.

A Brascan acrescentou, por meio da compra das onze PCHs, 45 MW de energia, que já estão em operação. Já os quatro projetos adquiridos contemplam duas usinas hidrelétricas, Barra do Braúna (40 MW) e Baú (100 MW), além de duas PCHs.

Atualmente, a Brascan possui 13 PCHs no Brasil, que juntas têm uma capacidade instalada de 220 MW. Somando-se aos cinco empreendimentos que estão em construção, a potência subirá para 310 MW. A companhia, que produz hoje mais de 1 milhão de megawatts/hora (MWh), opera PCHs nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Botelho afirma que pretende usar os recursos obtidos na venda para abater o endividamento. Atualmente, a companhia tem uma dívida líquida de R$ 1,7 bilhão, sendo que 25% é de curto prazo. "Nossa intenção é reduzir os débitos mais caros e os de curto prazo, o que propicia uma liberação nas despesas financeiras", afirma Botelho.

Com faturamento bruto de R$ 2,3 bilhões e lucro líquido de R$ 76,2 milhões no ano passado, a Energisa tem uma relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) de 2,7 vezes.

O executivo, inclusive, disse que, por ora, não tem intenção de vender os 172 MW desses projetos de PCH. Até porque, conta, esses empreendimentos ainda precisam de licenciamento ambiental e de autorizações. O diretor-financeiro afirma ainda que estuda estabelecer alguma parceria para tirá-los do papel.

Além do parque gerador, a Energisa controla algumas distribuidoras pelo Brasil, que atendem juntas 2 milhões de consumidores. Sendo assim, a holding é dona de companhias no Estado da Paraíba, a Saelpa e Celb, além da Energipe no Estado do Sergipe. Também controla a Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo (Cenf) no Estado do Rio de Janeiro e a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, em Minas Gerais.

Outra motivação da holding é também usar recursos para melhorar as perdas de energia das suas distribuidoras. Segundo Maurício Botelho, atualmente a Energisa registra ao redor de 14% entre esses grupos.

Um dos alvos para que a holding reduza as suas perdas é a Saelpa. A distribuidora paraibana tem perdas de cerca de 20%. E o objetivo, segundo o executivo, é diminuir este número para um patamar próximo de 15,5% em 2009. Para isso, além dos investimentos feitos para adquirir participação acionária das controladas, a Energisa investiu R$ 361 milhões em abril de 2006 para melhorar operacionalmente as distribuidoras. (Colaborou Vanessa Adachi, de São Paulo)





 
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