Mário Menel: crise diminui demanda e traz perspectiva de redução da carga tributária para o setor elétrico
Até setembro, o setor conviveu com perspectivas de crescimento elevado e preocupações quanto às condições de atendimento às demandas do sistema.
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Autoprodução cresce e já mexe com estatísticas de consumo
As estatísticas de consumo de energia, principalmente do setor industrial, já refletem o efeito de um fenômeno que cresce silenciosamente no país. (leia mais) |
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MME afirma que vai regulamentar Lei do Gás de forma rápida
O Ministério de Minas e Energia prevê um trabalho rápido para a regulamentação da Lei do Gás aprovada no dia 11 de dezembro
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Aneel aprova regras de comercialização de energia para 2009
As Regras de Comercialização de Energia Elétrica para 2009 foram aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica e passam a valer a partir de janeiro. (leia mais) |
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Tapajós pode ser licitado em 2010, diz Eletrobrás
O complexo hidrelétrico do Rio Tapajós, no Pará, deve estar pronto para licitação em junho de 2010, segundo o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes. (leia mais) |
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Agricultura aprova medidas de redução do impacto de hidrelétricas
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou, no dia 26 de novembro, projeto que obriga... (leia mais) |
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Leilões da Aneel contribuem para poluir o meio ambiente, avalia Perillo
O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) criticou no Senado Federal a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de oferecer, em seus últimos leilões, a chamada energia suja (leia mais) |
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Questão ambiental e suprimento de energia
Os últimos resultados dos leilões de energia colocam o Brasil em uma situação surrealista. (leia mais) |
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• 15 e 16 de janeiro de 2009 Universidade do Porto - Porto - Portugal
II Seminário Internacional do Porto: “Dos Modelos à Realidade dos Mercados de Eletricidade e Gás Natural”
Estão programas palestras com autoridades e executivos de agências reguladoras, órgãos governamentais e empresas públicas e privadas do Brasil e da Europa. Estão previstas sessões de cunho acadêmico, para as quais há um call for papers abrangendo os seguintes tópicos: Governança; Regulação; Métodos de Previsão; Energia e Ambiente; Comportamento de Mercados; Inovação. Tal como o I Seminário, este evento integra-se num programa conjunto com o GESEL – Grupo de Estudos do Sector Elétrico da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenado pelo Prof. Dr. Nivalde de Castro. lnscrições e informações aqui |
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• 27 e 28 de janeiro de 2009 Hotel Address Cidade Jardim - São Paulo
Cenários Econômicos e Projeções de Mercado para o Setor Elétrico em 2009
Conseqüências da Crise Econômica Global • Perspectivas de Oferta e Demanda de Energia Elétrica • Possibilidades de Precificação da Energia • A Renovação das Concessões • Novo Ambiente • Regulatório • Gestão dos Riscos Financeiros • O Pré-Sal Inscrições e informações aqui |
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Mário Menel: crise diminui demanda e traz perspectiva de redução da carga tributária para o setor elétrico
Como foi o ano de 2008 para o setor elétrico?
Até setembro, o setor conviveu com perspectivas de crescimento elevado e preocupações quanto às condições de atendimento às demandas do sistema. Após setembro, predominaram as preocupações com o comportamento da carga, diante do impacto da crise econômica global.
Particularmente para os associados da ABIAPE, os efeitos da crise internacional foram muito rápidos e, hoje, a Associação busca alternativas regulamentares para mitigar os efeitos da crise nos custos de produção de energia elétrica. Mesmo com essas dificuldades, foram significativos os resultados econômicos para as associadas decorrentes das ações da ABIAPE.
Quais as perspectivas para 2009?
Já é possível antever diminuição – revisão das projeções oficiais da EPE já comprovam – no ritmo de crescimento da demanda. Esse fato é preocupante sob o ponto de vista de nossas empresas, que concorrem com 15% para a formação do PIB industrial brasileiro, mas traz um alívio para a operação do sistema e embute a perspectiva de menores valores dos encargos dos serviços do sistema quando comparados aos de 2008.
A aprovação do nome de Nelson Hubner para a Direção Geral da ANEEL foi bem aceita pelos agentes e traz consigo a esperança de uma condução firme e justa neste momento de crise. Por outro lado, além de administrar a crise, há que se preparar as bases para a retomada do crescimento com taxas mais elevadas: leilões de energia nova com regras isonômicas, renovação de concessões, reposição de estoque de projetos hidrelétricos, maior flexibilidade de regras para o mercado livre são ações que deverão ser executadas no próximo ano. A autoprodução espera ver consolidada sua atual posição na qualidade de participante em 7GW na oferta de energia para o setor e, também, ver permitido ou mesmo incentivado o seu retorno como investidora em grandes projetos de produção de energia elétrica.
Como a ABIAPE vê o anúncio do Governo Federal, garantindo licitar as hidrelétricas de Xingu e Tapajós, em 2009 e 2010, respectivamente?
A Associação aprova a medida. Afinal, estamos falando de obras que entrarão em operação além de 2017, embora com investimentos em prazo mais curto. A crise que hoje vivemos não deve se alongar demasiadamente – todos esperamos – e, portanto, empresas como as nossas associadas, que lidam com projetos de longa maturação, demandantes de planejamento de longo prazo, têm essa visão estratégica de cinco, dez anos à frente do ano zero.
Quais os impactos da nova Lei do Gás nas empresas associadas da ABIAPE?
Antes de responder objetivamente a esta pergunta, gostaria de registrar o histórico acordo feito entre agentes dos mais diversos segmentos envolvidos na indústria do gás, habilmente coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, de modo a permitir a rápida aprovação do PL no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.
Lembrando que a nova lei permite a autoprodução, a auto-importação, o consumidor livre e o acesso aos dutos existentes , eu diria que tem um grande impacto para as nossas empresas associadas. O impacto é tão significativo que o Conselho Deliberativo da Associação determinou à Diretoria Executiva que faça as adaptações necessárias nos Estatutos Sociais para permitir que a Associação atue nos segmentos de autoprodução e auto-importação de gás.
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Autoprodução cresce e já mexe com estatísticas de consumo
Alexandre Canazio - Agência CanalEnergia
As estatísticas de consumo de energia, principalmente do setor industrial, já refletem o efeito de um fenômeno que cresce silenciosamente no país. Não é a crise, mais sim o aumento significativo da geração própria de energia elétrica de grandes consumidores. E a razão deles é simples custo menor e maior segurança no abastecimento.
A Empresa de Pesquisa Energética já vem apontando em suas projeções uma aceleração do crescimento da autoprodução no país até 2017. A geração própria respondia em 2007 por 35,4 TWh do consumo. Isso deve pular para 63,8 TWh, em 2012, e 102,3 TWh, até 2017. Com isso, a velocidade de crescimento será de 11,2% TWh por ano nessa década, contra 8% ao ano no período 1991-2006.
Segundo Mario Menel, presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica, o investimento tem se concentrado na cogeração e não em projetos estruturantes. "As empresas têm investido em eficiência energética e aproveitamento de calor, por exemplo", salientou o executivo. Já os grandes projetos licitados pelo governo não tem tido a participação do setor, que tem uma capacidade de investimento de R$ 3,5 bilhões por ano.
Uma das maiores investidoras do setor é a ArcelorMittal Tubarão. A empresa conta com uma capacidade instalada de 500 MW, dos quais utiliza 345 MW. "A quantidade remanescente é disponibilizada, agora, para a Tractebel", contou Jorge Luiz Mattos Bittencourt, gerente de Coqueria e Energia da empresa. Ele confirma a tese de que a segurança e custos são os principais motivadores do investimento.
"Esta filosofia [autoproduzir] é desde o start up da empresa. Na época como uma necessidade para garantir a operação e nas fases seguintes como fator de redução de custo e eficiência energética", observou Bittencourt. Tubarão expandiu a produção, recentemente, de 5 milhões para 7,5 milhões toneladas por ano, o que exigiu mais 196 MW.
De acordo com a Abiape, a capacidade instalada dos autoprodutores associados chega a 7 GW, ou 7% da capacidade total do país. Menel, presidente da entidade, defende mudanças nas regras que permitam participação efetiva dos autoprodutores nos leilões. "Os leilões hoje são de obras voltados para emprenteiras. Elas sempre estão nos consórcios. Nesse caso, os agentes do setor elétrico e autoprodutor não se encaixam", frisou.
A mineradora Vale é um autoprodutor tão em local como remota feita, normalmente, por grandes projetos. A empresa está em sete usinas em operação e tem dois projetos em licenciamento e um em construção. A autoprodução deve cresce dos atuais 30% do consumo próprio para 60% com os novos projetos, informou a empresa, através da assessoria de imprensa.
A capacidade instalada total dos projetos, nos quais participa a Vale, é de 4.196 MW, desses 44%, em média, são da mineradora. Um dos projetos em licenciamento é a termelétrica de Barcarena, com 600 MW de capacidade instalada, que está em licenciamento ambiental no Pará. A usina a carvão deve receber investimento de US$ 314 milhões. A Vale também está envolvida na hidrelétrica de Estreito (TO/MA-1.087 MW), atualmente em obras.
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MME afirma que vai regulamentar Lei do Gás de forma rápida
Alexandre Canazio - Agência CanalEnergia
O Ministério de Minas e Energia prevê um trabalho rápido para a regulamentação da Lei do Gás aprovada no dia 11 de dezembro, segundo José Lima de Andrade Neto, secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis. O marco regulatório do mercado de gás foi destravado após acordo entre agentes, governo e parlamentares. A legislação passou, então, por votação no Senado e na Câmara em menos de uma semana.
"Em 10 anos de Congresso não tinha visto o que aconteceu no Senado. A votação em três comissões e no plenário foi muito rápida", disse, surpreso, Marcelo Moraes, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica. O executivo, que participou das negociações para o destravamento da lei, acredita que a sanção presidencial aconteça ainda este ano.
Com a chancela do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei, então, vai para a regulamentação que será comandada pelo MME. De acordo com Moraes, o processo deve ser feito com cuidado para "não distorcer", o que foi concretizado com o acordo. O secretário do MME disse que a regulamentação da lei se dará de forma rápida, já que há consenso no mercado sobre os benefícios da lei. "O trâmite será rápido", frisou
Andrade Neto destacou ainda o estabelecimento do planejamento da expansão da malha de gasoduto como um das principais novidades da nova lei. Ele ressaltou ainda que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis será a depositária dos novos contratos. "Isso dá mais transparência ao mercado", comentou o secretário.
Para o secretário, a nova lei dá "mais segurança" aos investidores. Opinião compartilhada com Moraes, da Abiape: "Essa lei dá o marco regulatório do mercado, que era uma colcha de retalhos". O executivo salientou a criação das figuras atuantes desse mercado como autoprodutor e o consumidor livre. Os dois agentes também ressalvaram a mobilização de governo, agentes e parlamentares para destravar a lei, que estava parada a cerca de um ano no Senado.
"Essa lei era aguardada por todos os atores. O gás tinha um vazio legislativo. Mas a matéria estava trancada no Senado e o ministério contribuiu para encontrar um texto que é consenso para todos os atores", contou Andrade.
Segundo Moraes, a Abiape vai contemplar na próxima reunião do conselho de administração, prevista para fevereiro, a mudança do nome da entidade. Assim, a associação perderia o "Elétrica" do nome, passando a ser a Associação Brasileira dos Autoprodutores de Energia. "Queremos orientar os associados nesse matéria sobre o marco regulatório", adiantou o executivo.
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Aneel aprova regras de comercialização de energia para 2009
Alexandre Canazio - Agência CanalEnergia
As Regras de Comercialização de Energia Elétrica para 2009 foram aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica e passam a valer a partir de janeiro. O conjunto de normas já havia sido ratificado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e foi aperfeiçoado pela Aneel. Os aperfeiçoamentos aprovados estão relacionados, entre outros, à modulação dos contratos bilaterais das distribuidoras; à modulação da energia assegurada e à alteração no cálculo do lastro para venda de energia elétrica de autoprodutores.
A Aneel sugeriu em relação à modulação dos contratos bilaterais que quando a parte compradora for uma distribuidora e a parte vendedora for parte relacionada à compradora, a modulação deverá permanecer sendo feita de maneira ex-post, ou seja, no mês seguinte ao das operações de compra e venda de energia. Porém será realizada pelo Sistema de Contabilização e Liquidação (SCL), com base no perfil de carga do agente de distribuição.
Já para a modulação da energia assegurada, a agência propôs que a energia assegurada de usinas motorizadas pertencentes ao Mecanismo de Realocação de Energia, à exceção de Itaipu, será modulada de acordo com o perfil da geração total dessas usinas.
Para a alteração no cálculo do lastro para venda de energia a autoprodutores, a Aneel recomendou para ser concedido aos autoprodutores o mesmo tratamento dado a produtores independentes no que se refere à apuração do lastro para venda de energia elétrica.
A CCEE deverá incorporar na versão 2009 das regras, a verificação da vigência da autorização para comercialização do excedente de energia concedida pela Aneel ao agente autoprodutor. Os aperfeiçoamentos citados e outros sugeridos pela Aneel para aprovação dessas regras estão presentes na Nota Técnica nº258/2008.
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Tapajós pode ser licitado em 2010, diz Eletrobrás
Da Agência CanalEnergia
O complexo hidrelétrico do Rio Tapajós, no Pará, deve estar pronto para licitação em junho de 2010, segundo o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes. O complexo terá capacidade instalada de 10,6 mil MW em cinco usinas, sendo a maior São Luís de Tapajós, com 6,3 mil MW. As usinas do Rio Tapajós, cujos espelhos d´água não chegarão a 2 mil quilômetros quadrados no total, serão as primeiras do Brasil a serem construídas no conceito de usinas-plataforma, segundo ele.
“Não haverá vilas para empregados, como aconteceu até hoje. Os trabalhadores morarão em Itaituba [cidade próxima ao rio] e irão de helicóptero para o local das usinas, trabalhando por turnos, como acontece nas plataformas de petróleo”, explicou Muniz.
Ele calcula que o complexo custará, no total, cerca de R$ 30 bilhões, incluindo as linhas de transmissão. A novidade do projeto, segundo Lopes, vai preservar a floresta entorno do empreendimento. “Serão 2 mil quilômetros quadrados de espelho d´água e 200 mil quilômetros quadrados de floresta preservada”, afirmou o executivo.
O executivo confirmou que os estudos para a usina de Belo Monte, também localizada no Pará, seguem dentro do cronograma e que o empreendimento deverá ser licitado em setembro de 2009. Belo Monte, que fica no Rio Xingu, terá capacidade instalada de 11.181 MW.
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Agricultura aprova medidas de redução do impacto de hidrelétricas
Agência Câmara
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou, no dia 26 de novembro, projeto que obriga os proprietários e concessionários de represas geradoras de energia elétrica situadas em cursos d'água a adotarem medidas que reduzam o impacto do empreendimento em atividades econômicas desenvolvidas rio abaixo (jusante).
A proposta foi aprovada na forma de substitutivo do deputado Cezar Silvestri (PPS-PR) ao Projeto de Lei 5972/05, do ex-senador Teotônio Vilela Filho, e cita a pesca e a aquicultura entre as atividades que devem ser protegidas.
O texto aprovado permite ainda que as medidas de proteção sejam sugeridas pelo empreendedor e que constem dos estudos de impacto ambiental exigido. Em ambos os casos, a autorização será concedida pelo órgão ambiental competente. O descumprimento das medidas poderá provocar multas ao empreendimento, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98).
A lei atual determina que o proprietário ou concessionário de represas em cursos d'água (de qualquer natureza) é obrigado a tomar medidas de proteção à fauna determinadas pelo órgão competente, independentemente da localização do empreendimento.
Compensação financeira
O projeto original previa a possibilidade de haver compensações financeiras aos produtores afetados pela represa, mas Silvestri retirou essa possibilidade de seu substitutivo porque não haveria "previsão constitucional para que seja pago a pessoas físicas qualquer tipo de compensação financeira pela implantação de empreendimentos dessa natureza".
O projeto - já aprovado na Comissão de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável - tramita em regime de prioridade e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de ser votado pelo Plenário.
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Leilões da Aneel contribuem para poluir o meio ambiente, avalia Perillo
Agência Senado
O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) criticou no Senado Federal a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de oferecer, em seus últimos leilões, a chamada energia suja - com destaque para a que emite gás carbônico -, em detrimento de outras fontes energéticas não-poluentes. Segundo lembrou, 70% do que foi licitado para as termoelétricas espalhadas pelo país não têm origem em matriz de energia considerada limpa, "o que contribuirá em muito para piorar a sustentabilidade ambiental brasileira".
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A crítica de Marconi Perillo foi feita durante o 9º Seminário Nacional de Petróleo e Gás Natural no Brasil - Desafios e Oportunidades
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A crítica de Marconi Perillo foi feita durante o 9º Seminário Nacional de Petróleo e Gás Natural no Brasil - Desafios e Oportunidades, que reuniu especialistas do setor no auditório da sede do Programa Interlegis, órgão do Senado. O senador defendeu, durante os debates, a diversificação da matriz energética brasileira, desde que esse procedimento dê ênfase ao biocombustível, ao etanol, e ao gás natural, cuja demanda, observou, vem crescendo ano a ano. Ele também sugeriu que a importação de gás liquefeito seja feita por navios, até que sejam regularizados os problemas de fornecimento do gás boliviano.
Em entrevista a Agência Senado, Marconi Perillo, que preside a Comissão de Serviços de Infra-Estrutura (CI), defendeu a auto-suficiência do gás, a exemplo do que foi feito com o petróleo. Mas para isso, observou, serão necessários investimentos vultosos na exploração de gás e na expansão da rede de distribuição, através da construção de novos gasodutos, especialmente nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.
O seminário foi transmitido por videoconferência para todas as assembléias legislativas. As principais questões debatidas e as sugestões apresentadas serão compiladas em um documento que será encaminhado à Presidência da República, à Casa Civil, às presidências do Senado e da Câmara dos Deputados, bem como às lideranças partidárias. A idéia visa permitir que o material sirva de subsídio para a formulação de diretrizes de política pública ao setor.
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Questão ambiental e suprimento de energia
Silvia Calou*
Os últimos resultados dos leilões de energia colocam o Brasil em uma situação surrealista. Eles resultaram na contratação de 5.200 MW (megawatts) médios de energia firme a ser gerada por usinas térmicas movidas a óleo combustível, em um país com potencial hidráulico da ordem de 100.000 MW. Para se ter uma medida de comparação, os 5.200 MW médios equivalem à soma das duas usinas do Rio Madeira mais Angra 3. Como explicar essa opção?
Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE, estatal responsável pelos estudos de planejamento energético do país), em artigo corajoso publicado no Portal CanalEnergia, aponta para o fato de que "a ausência de hidrelétricas na disputa fez com que o resultado não pudesse ser plenamente comemorado, já que se permanece longe da expansão mais adequada para o sistema elétrico brasileiro. Esta ausência é resultado de uma visão socioambiental restrita, preconceituosa e em certa medida esquizofrênica". Ao final, Tolmasquim faz referência ao personagem Gregor Samsa do conto Metamorfose, de Franz Kafka, que desperta uma manhã sem perceber o monstro em que havia se tornado.
O planejamento energético tem, de fato, buscado atender aos requisitos básicos do atual modelo setorial, a segurança de suprimento e a modicidade tarifária. Na eletricidade, a ênfase foi para as energias renováveis. Entretanto, não tem conseguido superar barreiras de ordem institucional, ambiental, social, étnica e jurídica, que têm impedido o desenvolvimento planejado.
Causa perplexidade o fato de a área ambiental ter licenciado rapidamente dezenas de termelétricas, enquanto as hidráulicas enfrentam toda sorte de restrições. Isto porque os efeitos dessa contratação podem ser bastante negativos. Em primeiro lugar em relação à garantia de atendimento à demanda, dada a complexa e não testada logística de tamanha geração térmica. Em segundo lugar, o impacto nos preços pode ser devastador caso essas usinas tenham que gerar mais do que foi previsto no leilão, pois o custo da geração térmica a óleo é cerca de pelo menos três vezes maior que a hidráulica. E quanto ao meio ambiente, elas são grande fonte de geração de gases de efeito estufa. É a isto que se refere o presidente da EPE quando fala em esquizofrenia da área ambiental e no quanto estamos longe da expansão mais adequada.
Olhando-se para o período após 2012, existem incertezas enormes quanto à possibilidade de exploração do potencial hidráulico da Amazônia. Restrições ambientais e indigenistas são questões a serem enfrentadas com coragem e urgência, sob pena de perdermos a grande vantagem competitiva no campo energético, que é a posse de uma das matrizes mais limpas do mundo e grande potencial de fontes renováveis a ser desenvolvido.
Em que pesem os avanços e a mudança de atitude promovidos pelo ministro Carlos Minc, estes entraves têm que ser enfrentados com vontade política, o que exigirá ação coordenada envolvendo as diversas áreas do governo e sua base no Congresso para dar solução aos seguintes temas:
I) Consolidação de um mecanismo legislativo que harmonize os ditames constitucionais que dão ao Estado a responsabilidade de prover energia diretamente ou sob regime de concessão e de proteger o meio ambiente;
II) Equacionamento do uso de terras indígenas para os aproveitamentos energéticos. É urgente a regulamentação do artigo 231 da Constituição Federal;
III) Implementação de legislação que garanta o aproveitamento de potenciais na Amazônia, em face da crescente criação de áreas de preservação ambiental na região, o que tende a congelar o nosso maior potencial hidráulico e a impedir a implantação de linhas de transmissão e gasodutos;
IV) Promoção da necessária interação do Poder Executivo com o Ministério Público para que haja entendimento quanto à importância dos projetos energéticos de fontes renováveis para a população brasileira;
V) Aprovação da lei que trata das competências para licenciar e que regulamenta o artigo 23 da Constituição Federal, o que ajudará a reduzir a judicialização dos processos de licenciamento ambiental. (A lei apresentada no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento, PAC, até agora não foi aprovada).
Por último, mas não menos importante, é necessário estabelecer a consciência, em todas as esferas do governo, da necessidade de ações que ajudem a viabilizar os empreendimentos de interesse da população brasileira. Estes são os projetos de geração hídrica que são mais baratos e limpos do que qualquer outra fonte de energia, tanto que os países desenvolvidos já exploraram todo o seu potencial. De outro lado, é crescente, no mundo, a preocupação com o aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa, principalmente pela utilização de combustíveis fósseis na produção de energia. No caso do Brasil, a não utilização do seu potencial hidráulico levará à utilização cada vez maior de fontes mais caras e mais poluidoras. A quem isto interessa?
A tomada de consciência pressupõe o conhecimento dos resultados da criação de obstáculos por parte de quem participa do processo de licenciamento de usinas hidráulicas: altos custos econômicos e ambientais. Caso ela fracasse, o que se verá serão funcionários do tipo do Sr. Bartebly do conto de Herman Melville. Empregado de um escritório, quando demandado a manifestar um posicionamento ou a agir, sempre respondia com a mesma frase: prefiro não fazê-lo.
* Silvia Calou é economista e mestre em Política Energética pela University of Surrey. É diretora executiva da ABCE (Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica) e coordenadora do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico.
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EXPEDIENTE
Conselho Diretor
Presidente: Otávio Carneiro Rezende
Vice-presidente: Vânia Lúcia Chaves Somavilla
Diretoria Executiva
Presidente: Mário Luiz Menel da Cunha
Vice-presidente: Cristiano Abijaode Amaral
Diretor de Relações Institucionais: Marcelo Liviero C. de Moraes
Projeto Editorial
Capitare Consultoria Empresarial e CanalEnergia
Jornalista Responsável: Bernardo Brandão (MTB 6817-DF)
Contatos: (61) 8162-6759 - bernardo@capitare.com.br
ABIAPE - Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução
de Energia Elétrica
SCN QD 04 - Edifício Centro Empresarial Varig
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